ECONOMIA SUAVE

LUSOFONIA GLOBAL

Jorge Braga de Macedo

As parcerias - nacionais e internacionais – para o desenvolvimento são capazes de alargar a base de conhecimento de que as empresas podem dispor, além de promover negócios concretos. Basta que consigam manter a confiança entre as partes. Só que, falta a voz das associações empresariais no debate internacional sobre desenvolvimento, apesar de se tratar de um elemento essencial da apropriação das políticas pelos cidadãos. Dentro dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio, só o oitavo, que visa estabelecer uma parceria global para o desenvolvimento, salienta o papel da iniciativa privada no alargamento da sociedade de informação ao nível mundial. Ora o horizonte do investimento nas grandes empresas, ao contrário do que toca às associações sindicais, é muito mais longo do que o ciclo eleitoral típico das democracias de mercado. Como a apropriação das políticas só ajuda a sustentar as reformas quando é durável, vê-se a importância dessa voz que falta para manter a confiança.

Que os benefícios da globalização para o desenvolvimento exigem parcerias foi evocado num relatório para o Banco Mundial em 1968, mas foi esquecido até à conferência das Nações Unidas sobre financiamento do desenvolvimento, realizada em Monterrey, México em Março de 2002. Na preparação da declaração de Monterrey envolveram-se, pela primeira vez, não só a ONU mas também o Banco Mundial, o FMI e a OMC além de organizações não governamentais e associações empresariais. Um grupo de personalidades presidido pelo ex-presidente mexicano Ernesto Zedillo concordou em promover formas inovadoras de financiamento através de parcerias público-privadas. Para os países envolvidos na NEPAD, que tem tentado adaptar alguns dos métodos da OCDE à recém-criada União Africana, esta tornou-se a tarefa do momento. Tanto mais que, poucos meses depois, na cimeira de Joanesburgo, as parcerias tornaram-se instrumentos do desenvolvimento sustentável.

Gerir parcerias exige boa governação quer dentro de cada Estado-nação quer entre Estados. Entre países com uma tradição da política externa que vai mais no sentido político-militar do que económico e uma preferência marcada por esquemas bilaterais em vez de multilaterais, é mais difícil concretizar os benefícios da globalização.

Na cimeira de Maputo em 2000, a CPLP introduziu uma dimensão económica ao lado da político-diplomática e socio-cultural. Em Junho de 2002, a ELO realizou em Lisboa o I Forum Empresarial da CPLP no espírito da diplomacia económica. Tal iniciativa levou a cimeira de Brasília realizada no mês seguinte a criar o Conselho Empresarial da CPLP, à semelhança do que já existe no Commonwealth e na Francophonie. Tal como os seus homólogos, poderá fomentar parcerias capazes de alargar a base de conhecimento das empresas associadas. Basta que utilize mecanismos já testados pela OCDE em África, na América Latina e na Ásia. E poderá ainda tornar mais multilaterais iniciativas como o Forum económico sino-lusófono, inaugurado em Macau em Outubro passado.

Com o Conselho Empresarial da CPLP pode surgir a voz que falta da lusofonia global.